sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Curso de jornalismo gastronômico

Foi em 2004, mais ou menos quando o Apetite nasceu, que eu decidi que queria escrever sobre gastronomia quando crescesse. E sempre levei isso muito a sério, queria aprender, mas buscava formação e não encontrava nada. Fui parar na Espanha para estudar jornalismo gastronômico. Claro que foi ótimo ir parar na Espanha, mas sentia muita falta de ver alguma forma de profissionalização por aqui mesmo.
É por isso que o que eu vou contar a vocês me deixa muito feliz: o Senac São Paulo lança agora em fevereiro a primeira turma do curso de extensão universitária Jornalismo Gastronômico. Um curso que é praticamente meu filho, porque estou envolvida desde seu desenvolvimento.
Agora jornalistas, cozinheiros, blogueiros ou simplesmente interessados em combinar comer e escrever podem transformar sua paixão em profissão. A proposta do curso é formar profissionais aptos a escrever sobre gastronomia em qualquer formato, seja uma reportagem, uma crítica ou um release. Jornalistas como Ricardo Castanho, do Guia Quatro Rodas, e Rita Lobo, do Panelinha, mostrarão aos alunos técnicas e segredos do texto jornalístico especializado, além de ajudá-los a explorar as possibilidades da profissão. Já especialistas como Neide Rigo, do Come-se; a barista Eliana Relvas e o maître fromager Jair Jorge Leandro ajudarão a turma a entender ingredientes e pratos para poder avaliá-los e descrevê-los com propriedade.
Não é uma delícia? Pra saber mais é só clicar aqui. E vida longa aos que escrevem em troca de comida!

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

São Paulo, São Paulo

Janeiro é um mês lindo em São Paulo. Claro que tá chovendo demais, e faz calor demais, mas tem gente de menos finalmente (ok, não tem gente de menos, tem o que deveria ter, mas não vamos começar a década reclamando...). Bem melhor pegar ônibus com lugar pra sentar, diminuir o trajeto casa-trabalho em 40 minutos e conseguir sentar no restaurante sem esperar!
Em janeiro São Paulo também faz aniversário. Dia 25, 456 anos.
E, em janeiro eu faço um ano de São Paulo. Gente, um ano. Cheguei no dia 16 de janeiro passado, e parece ao mesmo tempo que foi ontem e há vinte anos.
Janeiro fica eleito oficialmente o mês de São Paulo no meu calendário interno. Então antes de ficar sentimental e sair comendo em cantinas, traçando o sanduíche de mortadela do mercadão e o de pernil do Estadão, vou traçar uma meta: até o fim do mês comemoro a ocasião em um lugar bacana. A questão é qual. Será que o Fasano divide em 10 vezes sem juros?

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz (coloque seu feriado aqui) pra você

Caros,
É chegada aquela época do ano. Então, como de praxe, aproveito o momento para desejar a todos o dobro das coisas boas que 2009 arrumou. Mais escondidinhos, arrumadinhos, bifes à cavalo, farofas de banana, bolo no papel alumínio, alhos negros, mangaritos e cupcakes.
Aquele abraço a meus cinco leitores e aos fiéis amigos do Twitter e do Facebook.
Nos vemos na década de vem.
Beijo,
Joana


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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

10 dicas para enquanto o inverno não chega

Sim, ele está aí, o verão. Mas não sem meus protestos. Enquanto o sol reflete no asfalto de São Paulo e a temperatura cresce nos termômetros eu fico aqui, rezando por um ar-condicionado e atrás de opções refrescantes para aguentar essa estação absurda. Aqui compartilho 10 dicas de como venho me virando. Conte as suas aí nos comentários enqaunto eu conto os dias para a volta do inverno...

1. Gazpacho do Maripili. Tomate, azeite, gelo, pão, nenhuma necessidade de mastigar. Nada poderia ser mais perfeito nessa vida.

2. Coloque um mini marshmellow no fundo da casquinha de sorvete para evitar aquele pinga pinga de sorvete derretido.

3. Sgroppino do Zena Caffé. Sorvete de limão batido com vodca e prosecco. Devia ser proibido.

4. Coloque manga no seu sorvete de iogurte da Yogurberry. Claro que com blueberry e suas amigas fica ótimo. Mas quando a manga está docinha faz miséria com aquele creme...

5. Faça cubos de gelo de suco de limão. Seu copo de Coca-Cola nunca mais será o mesmo.

6. Guacamole: o jantar dos campeões.


7. Caipisaquê de jabuticaba do Mocotó. Lixia quem?

8. Salada de brie com mel pro almoço: fatias de brie e mel por cima. Ok, não é uma salada. Mas não conto pra ninguém se você não contar.

9. Chibé da Mara Salles. Farinha ovinha na água fria aromatizada com cumari, coentro, chicória do Pará e outros gostinhos.

10. Caipivodca de manjericão, para os loucos por manjericão. Possivelmente só eu vou querer. Melhor que sobra mais.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Boteco espanhol? Si, porfa

Mais que a tourada, que a paella, que as castanholas: talvez o que haja de mais emblemático na Espanha sejam os botecos. Espalhados pelo país, mas especialmente concentrados em Madri, os estabelecimentos dedicados à bebedeira costumam ser simples, antigos, lotados, barulhentos e baratos.
Quando chega perto do verão de lá, como estamos perto do verão daqui, esses bares começam a ficar mais e mais cheios a cada minuto, com espanhóis e turistas em brigas de cotovelo por um canto do balcão e a próxima dose de clara (cerveja com suco ou refrigerante de limão) e tinto de verano (vinho + água com gás).
Saudosos, os bares espanhóis. Começou de leve: com o sol, fiquei com vontade de gazpacho. Mas já andava crítica a vontade de comer tortilla e pão com tomate. Aí soube do Maripili. Sinos tocaram. Me lixei para o fato de que era sexta depois que a casa foi citada no prêmio Paladar e fui assim mesmo. Cheguei cinco minutos antes da fila de espera começar.
Pois saibam que é um lugar bacana, o Maripili. Muito claro e novo em comparação para os bares legítimos (namorado comentou que vai ficar no ponto em 20 anos), mas legal, pequeno, tranquilo, longe de badalação. No cardápio, tortillas, fuets, jamóns, sobrasadas, callos. No quadro, sugestões do dia, como o solomillo, que estava no ponto. Exceto um probleminha com o processador de alimentos (usado demais no pão com tomate e de menos no gazpacho), tudo gostoso e barato.
Quando a saudade da Espanha pintar, estarei lá. Topando até dividir tortilla e brigar de cotovelo.

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domingo, 22 de novembro de 2009

Julie & Julia, o filme

"I could write a blog. I have thoughts!" ~ Julie Powell


É familiar a história de uma aspirante a escritora sem motivação às vésperas de completar 30 anos. Joga uma pedra no Blogspot e pulam seiscentas. Mas cada uma certamente acha que essas coisas só acontecem com ela. Por isso gostei de Julie & Julia, o filme inspirado nas histórias de Julia Child, a mulher que ensinou os Estados Unidos a cozinhar à francesa; e Julie Powell, a mulher que reproduziu as receitas da primeira ao longo de um ano, postando tudo num blog.
As duas, em determinado ponto, estavam perdidas. E a cozinha as salvou. Não é adorável essa ideia? Enquanto milhões de mulheres querem mais é ser salvas da cozinha, essas duas acharam ali a alegria e motivação que precisavam para descobrir seu talento e... bom, publicar um livro.
As histórias se intercalam: enquanto Julia se acostuma com a vida na França, para onde se mudou com seu marido baixinho e apaixonado, Julie tem mil egotrips tentando terminar um projeto pela primeira vez. As coisas dão muito errado antes de dar certo. Mas dão certo, como precisam dar nos filmes água com açúcar. E, terapia de grupo à parte, eu bem precisava de um filme água com açúcar hoje.

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Post educacional (ou Comida e Identidade)

"Se a fórmula 'diga o que comes que te direi quem és' reflete uma verdade não só biológica e social, mas também simbólica e subjetiva, temos que admitir que o comensal moderno, duvidando do que come, pode muito bem duvidar de quem ele é". Quem disse isso não fui eu, obviamente, mas meu caro companheiro de trabalhos acadêmicos Claude Fischler. Ele e meus outros coleguinhas Massimo Montanari, Luís da Câmara Cascudo, Henrique Carneiro e a grande dupla Poulain e Pollan tem sido companhias constantes nesse fim de pós. Por isso vou contar umas historinhas em homenagem a eles. Sim, caros amigos, vocês entenderam certo: esse é um post educacional.
Com base na teoria acima citada, do Fischler, chegou-se à conclusão que as tradições alimentares podem ter uma função emblemática de resistência cultural. A identidade nacional, uma das principais fontes de nossa identidade cultural, que é quem nós somos – ou quem mostramos que somos –, quando ameaçada, também pode ser reafirmada através de escolhas feitas à mesa.
Duvida? Senta que lá vem a história.
Durante a Primeira Guerra Mundial era forte nos Estados Unidos o sentimento anti-germânico. Nada vindo da terra de Hitler era bem-vindo. Exceto o chucrute. Os americanos amam chucrute. Mas não podiam continuar compactuando com o inimigo. Então surge uma campanha do Comitê de Informação Pública do então presidente Thomas Woodrow Wilson para rebatizar o sauerkraut. O novo nome do repolho fermentado seria Liberty Cabbage.
Mas os americanos não pararam por aí. Durante a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, a França não se dispôs a fornecer tropas para ajudar os ianques. A tentativa de repressão e enfraquecimento veio na área mais conhecida da cultura francesa: a gastronomia. Enquanto as tropas de Bush cercavam o Iraque, o deputado republicano Walter Jones e seu colega Bob Ney, presidente do Comitê Administrativo da Câmara, convocaram uma coletiva de imprensa em Washington para anunciar solenemente o banimento das french fries (batatas fritas) e das french toasts (uma espécie de rabanada) dos cardápios dos restaurantes da casa. A partir daquele momento a palavra french seria trocada por freedom, liberdade. Os pratos passariam a se chamar Freedom Fries e Freedom Toasts.
As tentativas de renomear pratos inimigos nunca deu certo. Primeiro porque não atingiu os donos de tais pratos, que continuaram se deliciando com seus sauerkraut e suas french fries. Depois porque tais comidas já faziam parte do cardápio americano e decreto nenhum muda isso. A gente até pode tentar evitar as novidades comestíveis para preservar nossa "frágil identidade ameaçada pela globalização", mas, como já vimos antes, essa tal identidade é uma soma de tudo que nos influencia, seja lá de onde vier. E essa, amiguinhos, é a lição de hoje.

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