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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Quando chope bom dá vontade de sair correndo

Eu gosto de Vitória e tudo mais, mas tem uns lugares que me trazem à tona uma questão: que diabos eu estou fazendo aqui? Essa sensação vem sempre com a lembrança do jamón e do brie de 1 euro da Espanha. Mas, curiosamente, os que mais me causaram essa dúvida recentemente tinham chope de excelente qualidade envolvido...
Neste fim de semana estive em Belo Horizonte, onde fui formalmente apresentada ao Pinguim. Trata-se de uma choperia que existe desde 1936 em Ribeirão Preto, cuja filial faz felizes os mineiros de BH. O lugar fica lá na Grão Mogol, bem chique, e reúne ambiente lindo e despojado (com direito a sombra de árvore e tudo), garçons pra lá de simpáticos e oito combinações de chope.
Tem o claro e o escuro, que é adocicado no estilo Malzbier. E misturebas como Pingado (metade de cada), Ferrugem (claro com colarinho de escuro, coisa muito excelente) e o Sexual (?!), que é só o creme do chope escuro. Tudo bom. Tanto que eu fiquei almoçando de uma às quatro da tarde...
Outro canto cervejístico que me faz querer esganar Vitória é a Devassa. Ah, a Devassa. São nove endereços no Rio e um em São Paulo. E cinco chopes cheios de sabor e duplo sentido: Loura (pilsen), Sarará (weiss, de trigo), Índia (India pale ale, um blend dos maltes Viena, Chocolate, Black e Pilsen), Ruiva (pale ale) e Negra (dark ale).
O negócio lá é fazer degustação. Te ensino: é beber uma de cada, da mais fraca pra mais forte. E depois começar de novo. Se aguentar, ainda mais uma vez. Aí você esquece como se volta pra casa... Ai, ai...

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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

La Plata

Pausa para a saudade...

Ir toda semana ao La Plata, principalmente na primavera européia, é uma ótima (e barata) maneira de acompanhar a evolução da estação das sardinhas. Elas vão ficando maiores e mais deliciosas quase a cada minuto, e o bar é uma instituição no quesito "fritar à perfeição", deixando os peixinhos tão crocantes que você pode comer tudo, espinha, cabeça.
O La Plata é tão bom nisso porque não sobra muita coisa pra distrair o cozinheiro: o bar não tem cardápio e serve só pa amb tomàquet (pão com tomate, azeite e sal); pa amb butifarra (pão com lingüiça catalã); saladinha de anchovas, tomate e cebola (divina!) e as sardinhas famosas. E são tão famosas que os clientes escrevem poemas sobre elas, lhe pintam retratos, e essas obras de arte decoram as paredes do estabelecimento.
Mas a lição mais incrível ensinada pelo bar é àqueles que acreditam que os catalães são geneticamente modificados para nunca prestar um bom atendimento: lá os freqüentadores de toda la vida tem seu prato de sardinhas e copo de vinho esperando no balcão antes mesmo de atravessar a rua para entrar no bar...
O La Plata fica na Carrer Mercè, 28, Barcelona. Se for lá, diz que eu mandei um beijo pro garçom grisalho e perguntei como anda o olho do garçom baixinho...

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Sábado, 17 de Maio de 2008

Saudades do Lidl. Mas não conta pra ninguém, tá?

Tenho muitas saudades do meu tempo em Barcelona, e meu subsconsciente me lembra disso a toda hora. Essa noite, por exemplo, eu sonhei que estava lá fazendo compras no Lidl! Gente doida que sonha com ir no supermercado em outro continente...
O Lidl é tipo aquele cara com quem você sairia se suas amigas nunca viessem a saber. É alemão, feio, bagunçado, às vezes sujo, mas é uma das melhores opções na Europa para compradores sem orçamento, de estudantes a velhinhas que saem de casa usando aqueles quimonos de flanela e puxam papo na fila do caixa. Também é o melhor destino para quem gosta de iogurte. Eles tem os melhores iogurtes da cidade, com sabores estranhos como pêssego com maracujá ou café, e tudo custa metade do preço dos Nestlè da vida.
Mas é preciso estar preparado para visitar esse super. Ele é chaotic evil com certeza, colocando leite, llonganissa, vinagre e sopa de pacotinho na mesma prateleira. Os produtos vem da longínqua e misteriosa Europa Oriental, e a maioria dos rótulos tem palavras com cinco consoantes e só uma vogal. Os vegetais frescos raramente são tão frescos assim e as coisas costumam estragar na geladeira semanas antes de vencer o prazo de validade.
Mas é tão barato que a gente finge que nem repara nisso tudo. E tem sempre aqueles iogurtes...

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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Acarajé para dummies

Eu fui, nêga, pra Bahia! E lá tem vatapá, caruru, mugunzá e tudo o mais. Tem uma baiana em cada esquina que se preza fritando acarajé; o cheiro pungente do dendê batiza sua roupa e seu cabelos, e canta um "chega mais" cadenceado para o estômago.
O acarajé é comida de orixá. Por isso a receita não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo, e mesmo sendo vendido por aí pela rua pra quem quiser, é comida de santo.
Tudo começa com uma colherada generosa da massa grossa e bege-pálido de feijão-fradinho sem casca frita no dendê. O bolinho que sai dessa operação é cortado no meio e recheado.
Primeiro vai a pimenta. Nesse momento, não se esqueça da clássica armadilha pega-bobo: se a baiana perguntar se quer quente ou frio não se refere à temperatura do bolinho e sim à quantidade de pimenta. Vale até uma aulinha. Em iorubá "akàrà je" significa comer bola de fogo.
Depois vem vatapá, um creme de camarão e peixe com dendê, castanha de caju, amendoim e coco. Aí vem o caruru, creme a com mesma base de ingredientes que o vatapá, mas que leva quiabo. Depois uma saladinha de tomate tipo vinagrete. Coroa tudo com camarão seco e tá na mão.
Vale avisar que vicia. Você quer o segundo na hora que recebe o primeiro, e quer o terceiro na primeira bocada. Mas o negócio é pesado e faz mal para estômagos delicados. Mas uns dois por dia não fazem mal a ninguém...

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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Guacamole

"É pra comer com açúcar ou bater com leite?", me perguntou o atendente do supermercado quando eu pedi ajuda para escolher um abacate. "Pra comer com sal, na verdade", confessei. Ganhei uma cara feia de resposta, e tudo culpa do meu vício por guacamole.
Quem manda morar no Brasil? Fosse em qualquer outro país do mundo a idéia de misturar o abacate com pimenta e temperinhos seria muito bem aceita, mas pra gente abacate é fruta, então é doce. Ainda que tomate seja fruta.
Fui apresentada ao guacamole num restaurante mexicano, mas meu vício começou na temporada espanhola. Lá aquele abacate pequenininho, que tem mais sabor que o nosso grandão, não custa caro, e tem Doritos sem colorantes, com gosto de tortilla de milho de verdade. Era fácil que só passar na fruteria, onde um colombiano sorridente escolhia os frutos de acordo com o dia em que eu pretendia consumi-los. E o Doritos custava um euro, quando nada mais custava um euro.
O preparo é estúpido. Corte o abacate no meio, reserve o caroço, separe a polpa e amasse com um garfo. Sal, pimenta, suco de limão, cebola e tomate picadinhos: guacamole a mi manera! Coentro e alho valem, fica a gosto. Mexicanos gostam com cebola, tomate, suco de limão e coentro. Chilenos só com sal e pimenta do reino branca. E só com sal e um pouquinho de azeite vira uma beleza de maionese no sanduíche de alface, tomate, peito de peru e queijo branco. Ah: se não for comer na hora, coloque o caroço junto com o creme, porque senão ele fica preto e feioso.
Quando cheguei de volta, fui atrás do abacatinho. Tem, mas custa caro. Aí fiz o teste com o abacatão, e quebrou o galho muito bem. Só falta o Doritos que não deixa a mão colorida...

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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Sempre teremos Bohumin

Enquanto eu estava viajando por aí eu fui parar na República Tcheca. Explico: o namorado fez intercâmbio lá e quis me levar. Na chegada já classifiquei essa sua escolha como boa. Praga é linda, tem aquele clima que a gente espera da Europa, uma espécie de elegância decadente.
Só que ele não morou em Praga. E nós subimos num trem para o leste em direção da Polônia.
Quando chegamos a Bohumin, a opinião sobre a escolha evoluiu. É mais fácil se sentir num país diferente quando você tem a chance de entrar na vida desse país, e não só correr por fora tentando acompanhar a rota albergue-ponto turístico-metrô-restaurante que o guia indicou.
Morar numa cidade tão pequena (menos de 23 mil habitantes) deve ser difícil, mas para nós, hóspedes paparicados, foi excelente.
É mais fácil entender que tal é essa gente quando num diazinho bem tranqüilo, de sol, eles te convidam pra um churrasco, que na República Tcheca significa salsicha no espeto e espeto no fogo. Para acompanhar, mostarda e pão. E para refrescar, pivo, cerveja. Se sentir parte de alguma coisa é bem mais divertido...
Já que a vida andava tão difícil, decidimos esticar até Ostrava para conhecer Stodolni Street, famosa rua boêmia (morávia?) que reúne 60 bares. Imagina só 60 bares cheios de gente linda, loira e extremamente barulhenta e animada. Um pouco mais daquela ótima cerveja para alegrar o coração, meio litro de cada vez, e lá estávamos nós cambaleando em busca de um podrão de responsa que ajudasse a manter a sobriedade na bagagem. Esse sanduíche de frango, repolho, tomate e pepino resolveu bem o problema.
Desnecessário dizer que eu recomendo uma visita a todos esses lugares. Isso é o bom da Europa, meus amigos, não adianta negar: ali do lado sempre tem coisas novas para te surpreender. E nem precisa procurar muito. É só não deixar a Torre Eiffel desviar a sua vista.

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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Besote, tannat

Uruguai pra mim tem gosto de tannat. Cheiro de churrasco na parrila, preço de um prato de self service, som de canções um pouco bregas em espanhol e conversas internacionais no albergue. Mas gosto de tannat. Cor quase púrpura, bem escura, toque ácido, forte. Gosto... bom, você já sabe.
Meu primeiro tannat foi no Uruguai mesmo, onde deve ser, dizem, em pleno Mercado del Puerto, num verão que não pedia tinto, numa hora da tarde que não pedia o bife ancho que acompanhou a taça. Experiência toda errada que deu certo e ficou na memória como um daqueles momentos felizes que a gente reclama não ter com mais frequência.
Tô falando disso por quê? Porque hoje eu bebi um tannat. Não o fazia há anos, e mal sabia o quanto de saudade eu sentia. Lembrei do tal momento e queria te contar.
O nome do tal era Traversa Gran Reserva Roble Tannat 2005. Não é assim a oitava maravilha. Mas me deu de presente um sorriso nessa quinta-feira à tarde. O bastante, na minha modesta opinião.

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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Clara, claro

É comum pensar que o vinho é a bebida preferida dos espanhóis. Mas no verão, isso é só meia verdade. Quando o calor bate mais forte os delicados macabeos e tempranillos somem das mesas dos bares, e quem molha a garganta depois da tapa de jamón é a clara, mistura de cerveja e limão.
A clarita pode ser cerveja com água tônica, suco de limão ou refrigerante de limão, o que a deixa mais aguadinha e refrescante (e, ahn, clara!). Ou seja, ela vira rainha dos botequeiros no verão e estrela dominante das mesas de todo o país. A desculpa é que a cerveja - que lá é muitíssimo mais encorpada que a nossa - é forte demais para o calor, e precisa ser diluída um pouquinho para ficar mais verano.
Entendo que você ache isso estranhíssimo e, quem sabe, um pouco asqueroso. Eu também achava, sabe? Os brasileiros, ainda que campeões nas misturas escalafobéticas, costumam achar um horror. Mas depois do meu primeiro gole foi clara pra todo lado, o tempo todo. E eu gostava da menos "natural", com refri mesmo: uma bebida nada encorpada e com leves reflexos verde fosforescente.
Nos 30 graus que estão fazendo nessa Vitória agora mesmo, ahhhhhhhhhhhh que delícia seria! Como me faz falta nessa terra uma boa lata de Fanta limão sabor Redoxon...

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Sábado, 27 de Outubro de 2007

Um amor para toda a vida

Por muito tempo mantive un preconceito horrível contra todo e qualquer tipo de queijo forte. Culpa do parmesão ralado de pacote, história contada e recontada vezes sem fim. Mas com o tempo me libertei dessas idéias menores e aprendi o quão divino é um queijo curado, guardadinho ali até seu ponto de maturação perfeito, até ser grande no sabor e na textura, até ser tudo o que pode ser. E achei por bem que o próprio parmesão seria minha melhor referência na categoria, em homenagem a nosso passado conturbado de pré-julgamento e injustiças.
Depois de passear pelos parentes italianos do parmesão, que nos chegam mais facilmente ao Brasil, estava ansiosa para conhecer as "variedades" espanholas, e provei tudo quanto foi queijo quando cheguei.
E no meio estava o salgadíssimo mahón. Assim meio tímido, sem fazer alarde, o mahon vem com nome, sobrenome e DOP (Denominación de Origen Protegida) de Menorca, a ilha mais come-quieta das Baleares, feito com leite cru e fresquíssimo de vaca frisona, podendo ser misturado com até 5% de leite de ovelha menorquina. Avassalador. Comi e comi até quase roer a casca, e saí feito louca pelas queijarias vizinhas a ver se encontrava mais só para garantir sua presença em casa, pro caso de me dar uma vontade louca às três da manhã.
Um vendedor, me olhando como quem olha guiri que se engana no espanhol, se assustou com meu pedido. "Certeza que não quer o mató?", tentou me empurrar um queijinho fresquinho de mulherzinha. "É o mahon mesmo, amigo. Gosto muito". O homem abriu seu melhor sorriso catalão, convencido. "Esse é um queijo difícil de agradar. Se você gostou, prepare-se para não esquecê-lo mais. O mahon é um amor que dura toda a vida".
Conformada com o meu destino, comprei logo um inteiro, ficando sem tostão para o vinho que vinha de acompanhante. Mas quando a gente ama nada mais tem importância...

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Sábado, 13 de Outubro de 2007

Pausa para a salada

Eu comi, viu? Pizza, pasta, peixe, couscous, tagine, gazpacho, pescaito, paella. Mas depois de uns dois meses sem comer nada mais que comida típica, ainda que eu aguentasse mais, meu corpo resolveu que tava bom já. E começou a reclamar um montao (sigo sem acento, como você pode ver. mas só no computador: meu espanhol nao perde o acento nunca...).
Incrivelmente até pra mim, me deu uma incrível vontade de comer salada, só salada, muita, até cair; um prato gigante onde eu pudesse praticamente mergulhar dentro.
Foi assim que ao chegar a Barcelona meu primeiro desejo foi correr para o FrescCo.
O FrecCo é um bufezao de salada, pizza e macarrao em que se come a vontade por uns 9 euros. Só que o macarrao é horroroso e a pizza questionável, o que faz com que eu me afunde na salada mesmo e fique bem orgulhosa de querer repetir alface com cogumelo com ervilha com tomate cereja e brócolis e azeite de canela.
Mas vale o aviso: recomendável só se vocè passar mais de um mês viajando. Antes disso tem que comer comida típica, ou senao nao ganha sobremesa. E tenho dito!

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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

Na ponta da língua - junho

As meninas do Fouet, Roux & Demi Glace dão uma dica bem legal pra reaproveitar a casca do pão de forma Olha lá que é bem simples mas vale a pena.



Dizem que quando a vida te dá limões você deve fazer uma limonada. A vida me "deu" um Abadal Picapoll 2006. Hum...


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Domingo, 3 de Junho de 2007

Mariscando no Bairro Alto

A comida de Portugal é mítica pelos mariscos frescos e gostosos. E agora entrou no meu imaginário como comida dos sonhos também por ser bem mais barata que a comida espanhola.
Eu com minha listinha de "must eat" fui lá no Antigo 1º de Maio, que a Veja recomendou como o melhor custo-benefício no ano passado. O lugar é pequeniniho, com as mesas de esbarrando e nehuma privacidade, mas é cheio de charme e opções interessantes do cardápio. Eu fui de açorda de marisco com chocos empanados (o choco é bem parecido com o calamar, que por sua vez é bem parecido com a lula), que tava muito bem feito e saiu por uns €10.
A única parte ruim do lugar é que seu pastel de bacalhau (o nosso popular bolinho) foi eleito o melhor de Lisboa pela Veja mas só é servido na terça-feira... E eu fui lá na quinta, que puxa...

Ah, um adendo: vale avisar que em Portugal tudo que é colocado na mesa é cobrado, mas ninguém te conta isso, e você acaba se empanturrando de pão com manteiga pago em euro sem nem notar. Eu já estava esperta e comi só o que queria provar, tipo os queijinhos, que valem muito a pena. Um dos raros casos em que eu fui mão de vaca com comida...

Antigo 1º de Maio
Rua da Atalaia, 8, Bairro Alto (mapa)
tel.: 21 342 6840

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Na ponta da língua - maio

Falar curto e grosso (bom, nem tanto) de restaurante é no A la carte. Gostei!

Viajar de avião com freqüência faz perder um pouco a magia, mas te prepara melhor para certas surpresas. Ver uma aeromoça sentada na pia do banheiro comendo uma rabanada, por exemplo.

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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Pastel de Belém só se for de outro lugar...

Lisboa é linda. Parece o Brasil. Claro que a língua ajuda, mas tem algo mais. As pessoas são simpáticas, sorridentes, coisa com que eu desacostumei depois desses meses na Espanha. E por aí também se come de maravilha. Primeiro tem os mariscos, que ficam expostos nas vitrines dos restaurantes quase dando tchauzinho pra clientela de tão frescos.
E tem os doces. Ai, os doces. Milhões de queijinhos empoados, castanhas de ovos, até gostosuras árabes... Tudo é excelente, leve, bem feitinho, mas o clássico mesmo é o pastel de nata. A gente no Brasil conhece como pastel de belém (aquele que vende no Habib's, referência mais comun pra quem não andou passeando por Pelotas). Em Lisboa só pastel de nata mesmo, já que o de belém vem de uma pastelaria no bairro de Belém, a tradicional, única que pode chamar o doce pelo nome e sobrenome. Ponto turístico a tal pastelaria. E eu, turista que sou, fui lá. Mas só quando já estava no meu décimo pastel de nata. E, claro, me decepcionei. Além de o lugar ser caro (caro padrão Lisboa nem é tão caro assim, mas vá lá) e cheio de turistas, o doce é bem mais ou menos. Claro que a embalagem pra levar é linda, e que o pacote vem com envelopinhos de açúcar e canela pra você temperar o doce como se deve, mas não chega aos pés de outros pastéis encontrados pelo centro da cidade. Um desses é o da Pastelaria Baixa Chiado, que fica no bairro e saída da estação de metro de mesmo nome. Baratos, em dois tamanhos, pra comer ali, pra levar, garçonete brasileira. Eu se fosse você, tirava foto em Belém mas guardava o estômago pra lá...

Pastelaria Baixa-Chiado
Rua do Crucifixo, 94 (mapa)
tel.: 21 3422753

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Sábado, 5 de Maio de 2007

Na ponta da língua - abril

Eu amo biscoito, eu amo fotografia, eu amo bom humor. Então blogs como Dirty Cookie Sugar foram feitos para mim. Vale conferir.

Serious Eats me contou que a melhor maneira de conhecer um lugar é aprender a se virar na sua cozinha. Hum, se valer tortilla é nóis...

Aparentemente um blog em português e um em castellano não eram suficientes, e eu fui inventar de fazer um em inglês. Vamos ver se me sobra tempo para comer...


Posso afirmar que essa foi uma das coisas mais bizarras que eu já comi na vida. Quando vi na prateleira do mercadinho chino, não resisti, era inacreditável demais para não ser provado. Mas bem que esse miojo sabor pato me fez ter pesadelos a noite inteira...

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Domingo, 15 de Abril de 2007

Menjeu, vosaltres que podeu

Ando ouvindo catalão à exaustão, principalmente sobre comida, e já ando bem acostumada. Catalão, vale lembrar, é junto com o castellano a língua oficial aqui na Catalunya, e parece uma mistura um pouco estranha de francês e espanhol com sotaque de português de Portugal.
Aí olhando por aí achei uns blogs de comida em catalão! Não é o máximo?
Ó só:
La cuina de casa - O blog é cheio de receitas tradicionais e algumas mais moderninhas, tudo com foto. Destaque pra de coca de vidre. Delícia...
Vai bem além do receituário, mas esse é bem bom também. Com ênfase no flam de pastanaga, e prêmio pra quem descobrir o que é pastanaga (hehehe).
Bona vida - O Jaume Fàbrega é um historiador e jornalista gastronômico bem conhecido por aqui, autor de vários livros e tal. Mas pra mim é o sujeito baixinho que fala umas palavrinhas em português e bebe Red Bull o tempo todo que me deu aula mês passado... Boa gente.
El bon menjar - Boas receitas e notícias de eventos típicos catalães, como a festa d'arrossos.
Iaia Mercè - Tem história, tem receita e tem a tradução de termos gastronômicos e ingredientes pra várias línguas, incluindo catalão e basco. Só não vale colar o que é pastanaga!
Ah, vou ficar com saudades do català... Venga, adéu.

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Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Na ponta da língua - março

Eu adoro a Espanha. Você não?

A combinação entre a boa comida da Catalunha e a brisa do Mediterrâneo foram batata: o Apetite acaba de dar cria. Seu filhotinho, o Apetito, habla castellano e ainda anda meio tímido, fraquinho. Mas nada que meia dúzia de tapas não resolvam... Ah, visitas são bem-vindas já na maternindade.

Nos dicionários daqui dizem que é nostalgia, añoranza. É que definir saudade não é nada fácil. Mas sempre dá pra tentar...

Em apenas uma semana minha barraca de sucos preferida em toda a Boqueria aumentou o preço do morango com laranja de 1 pra 1,50€. Talvez a chegada da primavera não seja tão boa notícia assim...

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Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Em Catalunha como os catalães

Tem dois meses que eu moro na Espanh, ops, Catalunha, e ando me sentindo em casa. Mesmo com as dificuldades de sempre, a barreira lingüística (catalão parece português mas catalão não é português não!) eu me sinto em casa. E acho que é principalmente por causa do amor que os catalães têm pela comida. Os catalães são meio fechados, mas é só falar de comida que se ganha um sorriso. Eles comem fazendo mil ruídos de aprovação, mas se alguém comenta o quão boa está a comida te olham rindo e dizem "claro!", como se você fosse uma criança constatando que a água molha.
Foi por causa desse povo maravilhoso que eu confirmei uma anomalia anatômica que já me era suspeita: eu tenho estômago de avestruz. Eles me ajudaram a superar as poucas frescuras que eu tinha. Se é de comer é de comer, então, vamos comer. Aqui não existe mais não provei e não gostei.
Comi foie gras quase cru, só marinado no sal (sensacional!); tripas fritinhas; llardons (torresmos mais secos e com gosto três vezes mais forte); queijos de cabra que fazem o olho arder de tão fortes, e queijos azuis tão antigos que já eram meio alucinógenos; coelhinhos que são vendidos com olhos e tudo no mercado; paella de marisco com lingüiça; molho de maionese cuja receita é do século XVII; sorvete de açafrão; embutidos de todos os tipos; e bebi azeite, vinhos de todos os tipos e vermutes de grifo, feitos pelo próprio bar e armazenado em barris.
Parece bobagem, mas acho que a Catalunha tem feito de mim uma pessoa melhor...

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Sábado, 10 de Março de 2007

Calamares a la madrileña

Da primeira vez que eu vim pra Madri, há uns três anos, me apaixonei pelos calamares a la romana, anéis de lula empanados que nasceram pra fazer companhia a tardes ensolaradas e copos de cerveja. Claro que amei todas as tapas, mas me "enganchei" pelas rodelinhas sequinhas; a casquinha crocante escodendo o recheio branco, macio. Era simplesmente bom demais. Na minha cabeça, a gostosura ganhou uma categoria extra: existem as tapas, e existem os calamares a la romana. Eu não podia deixar aquilo ser apenas mais um petisco na terra dos petiscos...
Acontece que agora, de volta à capital, descobri que os restaurantes da cidade concordaram comigo. Em todas as cartas da Plaza Mayor, um dos points mais turísticos de Madri, estão os bocadillos de calamares, sanduíches recheados com o tal tira-gosto que eu gostei tanto.
Pra gente no Brasil isso de pão recheado com empanado não pegou muito, mas no resto na América do Sul e por aqui faz o maior sucesso. E deveria: é uma delícia.
Os preços vão de 2 a 7 euros, então tem que dar uma voltinha explorando as cartas. Achei um combo de sanduíche e clara (cerveja mais refrigernte de limão) no balcão do Bar Los Arcos por €3,50, ótima pedida.
Anote a í na lista. Quem sabe na próxima vez que você estiver por aqui...

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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Na ponta da língua - fevereiro

Eu nem imaginava o tanto de queijo que se come por aqui, mas estou bem feliz com a descoberta. O pessoal leva o assunto tão a sério que criou até um site só sobre queijo!


Num prazo de cinco dias eu comprei três livros e um dvd de cozinha... Mas era imperdível: receitas do Ferran Adrià; A Fisiologia do Gosto, do Brillat-Savarin; La Mesa Moderna, uma troca de cartas entre um gastrônomo e um cozinheiro do rei; e o Carvalho Gastronômico sobre cozinha espanhola, que fala das referências culinárias do detetive glutão criado por Manuel Vázquez Montalbán. No fim tudo custou só 18 euros. Aí tem que fazer caber no orcamento, né?


Outro dia na aula provamos uma exótica iguaria africana: banana frita! A convidada da aula de antropologia era uma cozinheira e escritora africana chamada Agnes Agboton, que nos reforçou a idéia de que a cozinha do seu país e a brasileira são irmãs bem chegadas. Ela falou e falou sobre seus costumes interessantes e sobre mandioca, inhame, feijão... Aqui na foto está a moça segurando um quiabo.




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